domingo, janeiro 28

Que mico, mãe!

— Se for a Lisa leva o telefone no banheiro. Mas só se for a Lisa, mãe! Se for o Ricardinho, POR FAVOR, PELAMORDEDEUS, fala que eu estou no banho, na academia, na acupuntura, no shopping, na dança do ventre, mas em hipótese alguma diga ou insinue o que eu estou realmente fazendo, tá? Entendeu?

Quando eu estou de trelelê com algum menino, principalmente em começo de trelelê, todo cuidado é pouco com a minha mãe. Ela tem mania de puxar conversa com todo mundo que me liga. Lembro bem uma vez quando ela atendeu o telefone, eu estava no banheiro botando minha leitura em dia, folheando a Caras tranqüilamente, e quase me enfiei privada adentro rumo ao Japão ao ouvi-la dizer para meu namorado de duas semanas (duas semanas!):

— Ih, Dudu, sabe onde a Isabela está? No trono! Há um tempão! Já avisei que qualquer dia vai aparecer com hemorróida! Ela senta na privada e esquece da vida, Dudu! É impressionante! Nunca sei se ela tá com dor de barriga ou se ela tá lendo. E você, Dudu? Também tem problema de prisão de ventre? Tem um supositório que é uma maravilha...

Essa é minha mãe. Como a gente sofre com mãe, né? Elas são, sem dúvida, tudo de bom na nossa vida, sem elas não estaríamos aqui, e coisa e tal, mas chega uma hora que o inevitável é constatado: depois que a gente faz 12 anos, ir ao cinema com elas, comprar roupa com elas, estar em lugares públicos com elas, as coisas que a gente fazia até ontem na maior naturalidade viram o maior mico do mundo. E quando mãe pega a gente na escola? Uuui.
Já pedi 375 vezes para ela ficar na rua de trás, mas ela ignora e fica bem na porta do colégio, pisca-pisca ligado, buzina apertada, Roberto Carlos nas alturas. Eu faço o possível para virar uma formiga e passar despercebida até o carro. Mas pensa que ela deixa? Aos urros, aos berros, ela anuncia sua mais nova aquisição:

— Isabelinha, u-hu! Achei aquele creme importado para espinha que você vivia me pedindo! Uma fortuna, mas acho que agora essas pipocas horrendas abandonam de vez a sua cara, filhota. Na força, na fé, upalêlêê!".

Upalelê!???? Ninguém merece! Mãezinhas, nós amamos vocês, muito mesmo, mas, acreditem, a pior coisa para a gente é ver vocês nos tratarem em público exatamente como vocês faziam 10 anos atrás. Mas depois a gente cresce, muda tudo, e voltamos a ser amigas tipo unha e cutícula, tá? Prometo.

Thalita Rebouças =)

2 comentários:

Pri disse...

Hahahaha =)

Fillipe disse...

Mãe é mãe...
Não vivo sem a minha e morro por ela...
Apesar dela falar de mais às vezes e mostrar um certo álbum q eu vou queimar um dia... Mas eu amo muito a minha mãe e agente ate vai a cinema juntos...
Mas não posso deixa-la 5 minutos com nenhuma amiga minha q essa passa a saber dos detalhes mais sórdidos da minha vida...