sábado, novembro 18

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa

Ps.: Poeminha que descreve minha falta de palavras.
Ps1.: Sim, são os homens todos iguais =/
E não há nada implicito nesta afirmação.
Ps3.: Puts! Achei a foto que eu tirei da tv aqui! Esse povo..
Ah Acabei de achar em outro lugar
Nuss..

4 comentários:

Pri disse...

O bom das poesias é que elas conseguem arrancar palavras que estão presas no coração e não querem sair pela boca.

Sobre os homens eu não comento nada, não entendo MESMO do assunto. Risos.

Pri disse...

Que cópia! Risos!

Mas olha, lamento informar-lhe uma coisa... o Evaristo é homem! Xiiiiii, conseqüência: igual a todos os outros!

Anônimo disse...

Cansei desse preconceito feminista... q homens vc usa como base para sua afirmação???

Deusilene disse...

Pré-conceitos? Feminista?
Hmmmmmmmm..